sábado, 11 de agosto de 2012

Qual é o significado do título “Maria é Bem-Aventurada entre todas as gerações”?



Perguntas e Respostas n.º10:  Qual é o significado do título “Maria é Bem-Aventurada entre todas as gerações”?     

        R: O Beato João Paulo II nos ensina: “A repetição da Ave Maria no Rosário sintoniza-nos com este encanto de Deus: é júbilo, admiração, reconhecimento do maior milagre da história. É o cumprimento da profecia de Maria: « Desde agora, todas as gerações Me hão-de chamar ditosa » (Lc 1, 48).”
(CARTA APOSTÓLICA ROSARIUM VIRGINIS MARIAE DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II;16 de Outubro de 2002)

“Mulher do silêncio e da escuta, dócil nas mãos do Pai, a Virgem Maria é chamada « bem-aventurada » por todas as gerações, porque soube reconhecer as maravilhas que n'Ela realizou o Espírito Santo. Jamais os povos se cansarão de invocar a Mãe da misericórdia, e sempre encontrarão refúgio sob a sua proteção.”

(« Incarnationis mysterium »BULA DE PROCLAMAÇÃO DO GRANDE JUBILEU
DO ANO 2000;JOÃO PAULO II;29 de Novembro de 1998.)

“Traços de uma veneração já difundida na primeira comunidade cristã estão presentes no cântico do Magnificat: «Todas as gerações me hão-de chamar ditosa » (Lc 1, 48). Ao colocar nos lábios de Maria essa expressão, os cristãos reconheciam- lhe uma grandeza singular, que haveria de ser proclamada até ao fim do mundo.”
(JOÃO PAULO II;AUDIÊNCIA;15 de Outubro de 1997)

O Papa Bento XVI nos ensina: “No Magnificat o grande cântico de Nossa Senhora que acabamos de ouvir no Evangelho encontramos uma palavra surpreendente. Maria diz:  "De hoje em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada". A Mãe do Senhor profetiza os louvores marianos da Igreja para todo o futuro, a devoção mariana do Povo de Deus até ao fim dos tempos. Louvando Maria, a Igreja não inventou algo "ao lado" da Escritura:  respondeu a esta profecia feita por Maria naquela hora de graça.”

“E estas palavras de Maria não eram somente pessoais, talvez arbitrárias. Como afirma São Lucas, Isabel tinha clamado repleta do Espírito Santo: "Bendita aquela que acreditou". E Maria, também cheia do Espírito Santo, continua e completa aquilo que Isabel disse, afirmando: "Todas as gerações me chamarão bem-aventurada". É uma verdadeira profecia, inspirada pelo Espírito Santo, e a Igreja venerando Maria responde a uma ordem do Espírito Santo, faz aquilo que deve fazer. Nós não louvamos a Deus suficientemente calando-nos acerca dos seus santos, sobretudo sobre "a Santa", que se tornou a sua morada na terra, Maria. A luz simples e multiforme de Deus manifesta-se-nos precisamente na sua variedade e riqueza somente no rosto dos santos, que constituem o verdadeiro espelho da sua luz. Exatamente quando contemplamos o rosto de Maria, podemos ver mais do que de outras maneiras a beleza de Deus, a sua bondade e a sua misericórdia. Podemos realmente sentir a luz divina neste rosto.”

"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada". Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é "bem-aventurada", é bendita para sempre. Este é o contexto da presente Solenidade. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus. O Senhor, na vigília da sua Paixão, ao despedir-se dos seus, disse: "Eu vou preparar-vos, na casa do Pai, uma morada. E Há muitas moradas na casa do meu Pai". Quando Maria dizia: "Eu sou a tua serva, faça-se em mim segundo a tua vontade" preparava aqui na terra a morada para Deus; de corpo e alma, tornou-se morada e assim abriu a terra ao céu.”

“São Lucas, no Evangelho que há pouco ouvimos, com várias indicações faz compreender que Maria é a verdadeira Arca da Aliança, que o mistério do Templo a morada de Deus aqui na terra foi completado em Maria. Em Maria realmente habita Deus, tornando-se presente aqui na terra. Maria torna-se a sua tenda. O que desejam todas as culturas isto é, que Deus habite no meio de nós realiza-se aqui. Santo Agostinho diz: "Antes de conceber o Senhor no corpo, já O tinha concebido na alma". Reservou ao Senhor o espaço da sua alma e assim tornou-se realmente o autêntico Templo onde Deus encarnou, tornando-se presente nesta terra. Deste modo, como morada de Deus na terra, nela já está preparada a sua morada eterna, já está preparada esta morada para sempre. E é nisto que consiste todo o conteúdo do dogma da Assunção de Maria à glória do céu de corpo e alma, aqui expresso também com estas palavras. Maria é "bem-aventurada" porque se tornou totalmente, de corpo e alma e para sempre a morada do Senhor. Se isto é verdade, Maria não nos convida apenas à admiração, à veneração, mas também nos orienta, nos indica o caminho da vida e nos mostra como podemos tornar-nos bem-aventurados, como podemos encontrar a vereda da felicidade.”

“Agora ouçamos uma vez mais a palavra de Isabel, completada no Magnificat de Maria:  "Bendita aquela que acreditou". O primeiro e fundamental acto para se tornar morada de Deus e para assim encontrar a felicidade definitiva é crer, é a fé, a fé em Deus, naquele Deus que se manifestou em Jesus Cristo e que se faz sentir na palavra divina da Sagrada Escritura. Crer não significa acrescentar uma opinião às outras. E a convicção, a fé que Deus existe não é uma informação como as outras. Sobre muitas informações, pouco nos importa se são verdadeiras ou falsas, pois não mudam a nossa vida. Mas se Deus não existe, a vida é vazia, o futuro é vazio. E se Deus existe, tudo se transforma, a vida é luz, o nosso futuro é luz e temos a orientação para a nossa vida.”

“Por isso, acreditar constitui a orientação fundamental da nossa vida. Crer, dizer:  "Sim, acredito que Vós sois Deus, creio que no Filho encarnado Vós estais presente no meio de nós", orienta a minha vida, impelindo-me a apegar-me a Deus, a unir-me a Deus e assim a encontrar o lugar onde viver e o modo como viver. E crer não é apenas um tipo de pensamento, uma ideia; é, como já dissemos, um agir, um estilo de vida. Acreditar significa seguir as indicações que nos foram deixadas pela Palavra de Deus. Maria, para além deste ato fundamental da fé, que é um ato existencial, uma tomada de posição para a vida inteira, acrescenta mais uma palavra: "A sua misericórdia estende-se sobre aqueles que o temem". Fala, com toda a Escritura, do "temor de Deus". Esta é, talvez, uma palavra que conhecemos pouco ou da qual não gostamos muito. Todavia, "temor de Deus" não quer dizer angústia, é algo totalmente diferente. Como filhos, não sentimos angústia em relação ao Pai, mas temos temor de Deus, a preocupação de não destruir o amor sobre o qual está depositada a nossa vida. Temor de Deus é aquele sentido de responsabilidade que nós devemos ter, responsabilidade pela porção do mundo que nos for confiada na nossa vida. Responsabilidade pela boa administração desta parte do mundo e da história que nós somos, e assim contribuir para a justa edificação do mundo, contribuir para a vitória do bem e da paz.”

"Todas as gerações te chamarão bem-aventurada": isto quer dizer que o futuro, o porvir pertence a Deus, está nas mãos de Deus, que Ele vence. E quem vence não é o dragão, tão forte, de que fala a primeira leitura de hoje, o dragão que é a representação de todos os poderes da violência do mundo. Parecem invencíveis, mas Maria diz-nos que não o são. A Mulher é o que nos indicam a primeira leitura e o Evangelho é mais vigorosa porque Deus é mais forte. Sem dúvida, diante do dragão, assim armado, esta Mulher que é Maria, que é a Igreja, parece indefesa, vulnerável. E realmente Deus é vulnerável no mundo, porque é o Amor, e o amor é vulnerável. Contudo, Ele tem o futuro nas suas mãos, é o amor que vence e não o ódio; no final é a paz que vence.”

“Esta é a grande consolação contida no dogma da Assunção de Maria de corpo e alma à glória do céu. Demos graças ao Senhor por esta consolação, mas vejamos também esta consolação como um compromisso para nós, em vista de nos colocarmos do lado do bem, da paz. E oremos a Maria, Rainha da Paz, para que nos ajude em ordem à vitória da paz hoje: "Rainha da Paz, roga por nós". Amém!”
(SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA;HOMILIA DO PAPA BENTO XVI; 15 de Agosto de 2006)

O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen Gentium, vem nos ensinar:

“Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de «Mãe de Deus», e sob a sua proteção se acolhem os fiéis, em todos os perigos e necessidades. Foi sobretudo a partir do Concílio do Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiràvelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação, segundo as suas proféticas palavras: «Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que é poderoso» (Luc.1,48). Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1, 15-16) e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude» (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos.”

“Por isso, desde agora, me proclamarão Bem-Aventurada todas as gerações”. (Lc 1, 48)
Mons. Jonas Abib nos ensina: “Ao proclamar Maria Bem-Aventurada estamos simplesmente realizando essa profecia”(cf. Lc 1,48)

São Luis Maria de Montfort nos ensina: “Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece”. (p.22; Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem)

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina:

§148. A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a «obediência da fé». Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que «a Deus nada é impossível» (Lc 1, 37) (9) e dando o seu assentimento: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada.

§2676. Este duplo movimento de oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da «Ave-Maria»:

«Ave, Maria (alegrai-vos, Maria)». A saudação do anjo Gabriel abre esta oração. É o próprio Deus que, por intermédio do seu anjo, saúda Maria. A nossa oração ousa retomar a saudação a Maria com o olhar que Deus pôs na sua humilde serva, alegrando-nos com a alegria que Ele n'Ela encontra.

«Cheia de graça, o Senhor é convosco». As duas palavras da saudação do anjo esclarecem-se mutuamente. Maria é cheia de graça, porque o Senhor está com Ela. A graça de que Ela é cumulada é a presença d'Aquele que é a fonte de toda a graça. «Solta brados de alegria [...] filha de Jerusalém [...]; o Senhor teu Deus está no meio de ti» (Sf 3, 14. 17a). Maria, em quem o próprio Senhor vem habitar, é em pessoa a filha de Sião, a arca da aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: é «a morada de Deus com os homens» (Ap 21, 3). «Cheia de graça», Ela dá-se toda Aquele que n'Ela vem habitar e que Ela vai dar ao mundo.

«Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus». Depois da saudação do anjo, fazemos nossa a de Isabel. «Cheia [...] do Espírito Santo» (Lc 1, 41), Isabel é a primeira, na longa sequência das gerações, a declarar Maria bem-aventurada: «Feliz d'Aquela que acreditou...» (Lc 1, 45); Maria é «bendita entre as mulheres», porque acreditou no cumprimento da Palavra do Senhor. Abraão, pela sua fé, tornou-se uma bênção «para todas as nações da terra» (Gn 12, 3). Pela sua fé, Maria tornou-se a mãe dos crentes, graças a quem todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: Jesus, «fruto bendito do vosso ventre».

§2677. «Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós...». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos: Ela ora por nós como orou por si própria: «Faça-se em Mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com Ela à vontade de Deus: «Seja feita a vossa vontade».

«Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte». Pedindo a Maria que rogue por nós, reconhecemo-nos pobres pecadores e recorremos à «Mãe de misericórdia», à «Santíssima». Confiamo-nos a Ela «agora», no hoje das nossas vidas. E a nossa confiança alarga-se para lhe confiar, desde agora, «a hora da nossa morte». Que Ela esteja então presente como na morte do seu Filho na cruz e que, na hora do nosso passamento, Ela nos acolha como nossa Mãe, para nos levar ao seu Filho Jesus, no Paraíso.

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